O Beco do Rato


Nossa História

Num charmoso cantinho da Joaquim Silva, na Lapa, funciona desde 2005 o Beco do Rato, lugar de música boa, cultura, gente bonita, personalidades, cerveja gelada e ótimos petiscos. No comando do balcão está Márcio Pacheco, responsável também pela melhor roda de samba do Rio, o Samba Luzia. O mineiro de Itabirito incorporou como poucos o espírito do carioca, oferecendo aos seus clientes e amigos opções de lazer e gastronomia. O Beco já foi palco para o gogó de Luiz Melodia, Toninho Geraes, Wilson Moreira, Moacyr Luz, Tia Surica, Beth Carvalho, Ubirani, do Fundo de Quintal, Wanderley Monteiro, Iracema Monteiro, Zé Luiz do Império, Paulão Sete Cordas, o saudoso Walter Alfaiate, entre muitos outros. evoto de São Jorge, Márcio fez um pouco de tudo durante sua trajetória, mas sempre soube que seu lar seria o botequim. E foi num espaço até então desprezado da Lapa que ele criou seu bar, aberto inicialmente como um depósito de bebidas. “Muito antes do Beco do Rato, naquele pedaço de rua entre a Joaquim Silva e Moraes e Vale, moraram Chiquinha Gonzaga e Madame Satã. Manuel Bandeira, Noel Rosa, Sinhô e Portinari freqüentemente também andavam por ali”, destaca Márcio Pacheco, que na década de 70 rodava por bares como Amarelinho, Lamas, Adega Pérola, Adega Coimbra, entre outros.

Em 2005, enfim, surgiu o Beco do Rato, que atualmente é ponto de encontro animado com samba, cinema, poesia e choro numa casa aconchegante, com cardápio variado e diversas opções de bebidas. “Analisei aqui, ali… Quando senti que era o momento certo, que estava preparado, criei esse espaço. Há cinco anos, o beco era marginalizado pelos moradores e por quem nem o conhecia. Os restos de tudo que se fazia de errado na Lapa eram jogados ali. Todos os comércios funcionavam com desconfiança e se mudavam rápido. Não havia segurança, era mal iluminado, sujo e frequentado por pessoas que não eram do bem”, recorda.

Quando Márcio decidiu investir naquele canto, do beco sujo começou a surgir um botequim que viraria point do Rio. “A princípio coloquei um depósito de bebidas, água e refrigerante. Fiz boa clientela. Devagarzinho, as pessoas começaram a parar aqui na quinta-feira. Queriam tomar uma cervejinha. Comecei a abrir aos domingos e a vender cerveja no isopor, em lata”, afirma Márcio. O movimento começou a aumentar. “Sou muito agradecido à Lapa”, afirma Márcio. Surgiu, então, mais um plano brilhante. O percussionista Fabinho, o Fábio Bananada, deu a ideia de fazer um bar. Animado, Márcio passou a abrir o depósito aos sábados, com a cerveja no isopor, ainda sem música. Por algum tempo, o próprio Fábio passou a organizar o samba, ainda bem informal. Outro amigo, Rodrigo, também pediu para tocar. Fábio Bananada e Rodrigo formaram o grupo, o precursor de tudo, numa sexta-feira qualquer de 2005. “Com quatro meses, o Beco estourou, sucesso imediato. Virou uma opção barata, com música de qualidade ao ar livre. Fiquei assustado, pois foi muito rápido. Só tinha dois banheiros, a geladeira não dava mais vazão”, recorda Márcio.


Desce Lá no Beco do Rato

O nome do botequim surgiu por acaso. Quando alguém pedia informação sobre o samba de sexta-feira na Lapa, o povo dizia: “desce lá, no Beco do Rato”. Assim nasceu o bar, que logo teria espaço para a galera do cinema, através de Fred e Viviane, do Cinemaneiro. “Eles queriam exibir curtas-metragens, filmes alternativos que não passam no cinema, na TV. Mais um sucesso. Recebemos visitas ilustres, como Cacá Diegues, Zózimo Bulbul e outros”. Depois, veio a leitura de poesias, na quarta-feira, com apoio de Dagoberto, Maristela, Carlucci e Letícia. O choro apareceu em seguida, com Fred e Doutor Alexandre. “Com pessoas mais envolvidas com a cultura, o Beco foi procurado pela mídia. A responsabilidade cresceu, porque se aproximaram pessoas mais exigentes, de mais idade. E também os jovens, um público de todas as tribos. O chorinho deu um fecho final, amarrou a programação do Beco do Rato”, afirma Márcio.

Enquanto isso, ele fazia reformas de acordo com a movimentação do bar. “Todo o projeto do Beco do Rato é meu, até os desenhos. Sempre digo o traço que quero, para o artista fazer do meu jeito. Quem pinta é o meu amigo Ney. O primeiro quadro foi o de S. Jorge, meu protetor e de toda essa casa. Sou filho de Ogum. Toda casa que eu tiver vou sempre botar São Jorge”, ressalta Márcio. Em 2006, Márcio ampliou o Beco e criou o Canto do Rato, anexo do restaurante e bar que funciona para almoço de segunda a segunda. Hoje, o Beco e o Canto são paradas obrigatórias para quem gosta de cerveja e um bom samba. Quem não gosta é ruim da cabeça ou doente do pé.